A preparação para os vestibulares e o Enem vai além da absorção de conhecimento, durante esse período e principalmente durante a execução da prova, a estabilidade emocional é indispensável para um bom desempenho, o que reflete diretamente no resultado final da prova e por isso, o cuidado com a saúde mental não deve ser visto como algo secundário na preparação para o Enem, mas como um elemento fundamental para que os estudantes consigam aprender, manter a concentração e enfrentar a pressão do exame.
É comum que o nervosismo, a ansiedade, a insegurança e o esgotamento apareçam nesses momentos. Portanto é muito importante que o estudante compreenda o que está acontecendo consigo mesmo para que ele possa se entender, buscar ajuda e tentar impedir que isso o prejudique nesse momento importante.
Com a experiência de quem enfrentou o vestibular em 2022 e atualmente está em fase de conclusão da graduação em Psicologia na Universidade do Distrito Federal (UDF), Liv Isabelle Nossat compartilha uma visão que une vivência pessoal e conhecimento acadêmico sobre os desafios emocionais desse período. Segundo ela, a pressão para escolher uma carreira ainda muito jovem, somada às mudanças que acompanham o fim do ensino médio, pode tornar essa fase especialmente difícil. “Não tem como você fazer uma boa prova se você não estiver bem psicologicamente falando”, destaca.
A estudante também chama a atenção para um aspecto que muitas vezes passa despercebido: o luto pelo encerramento do ciclo escolar. Ela explica que o fim do ensino médio envolve o rompimento de vínculos, o afastamento dos amigos e a transição para uma nova etapa da vida. “Às vezes a gente pensa que luto é só por morte, quando na verdade não é. Qualquer rompimento de vínculo pode ser considerado um luto”, observa. Assim, além da preocupação com o vestibular, os jovens precisam lidar com uma série de mudanças emocionais e sociais.
Diante desse cenário, ela destaca que o equilíbrio psicológico é essencial para enfrentar a prova e também ressalta a importância do autoconhecimento e da confiança na própria preparação. Para ela, reconhecer os próprios esforços e compreender que nem tudo está sob controle são atitudes fundamentais. “Se você fez sua parte, que era estudar e se preparar, você pode realizar a prova tranquilamente, sabendo que fez o que estava ao seu alcance”, aconselha.
Por fim, reforça que buscar apoio psicológico não deve ser motivo de vergonha, especialmente diante das cobranças e inseguranças que envolvem o ingresso na universidade. “Uma coisa que eu aprendi na faculdade de psicologia é que o autoconhecimento, você entender quem você é, entender o que sente, entender o que pensa. é muito importante pra ter estabilidade emocional. Então se você precisar é importante procurar ajuda”.
Paula Neves Tannous Dib, psicóloga, mestra e doutoranda pela USP de Ribeirão Preto, acrescenta ao tema sua análise e destaca que o exame representa um dos primeiros grandes desafios da vida dos jovens, que ainda estão em uma fase de descobertas e precisam lidar com a pressão da escolha profissional, da concorrência e da expectativa de ingressar na universidade.
Nesse contexto, o equilíbrio emocional é fundamental, já que muitos estudantes, mesmo tendo conhecimento sobre os conteúdos, enfrentam dificuldades para lidar com a ansiedade e a pressão no momento da prova. Como explica a profissional, “você pode ter o conhecimento, mas também precisa ter as condições para conseguir fazer a prova e dar o seu máximo”.
Ela destaca que a importância atribuída aos exames pode provocar dificuldades emocionais, tornando necessário, em alguns casos, o acompanhamento terapêutico. Além disso, ressalta que cuidados básicos, como alimentação adequada, boas noites de sono e atenção à saúde mental, são fundamentais nesse período.
Outro aspecto apontado pela psicóloga é a influência das desigualdades socioeconômicas na preparação dos candidatos. Condições de moradia, acesso à alimentação, qualidade do ensino e disponibilidade de tempo para estudar são fatores que interferem diretamente no bem-estar dos estudantes. Por fim, ela ressalta que a não aprovação não deve ser encarada como o fim de um projeto de vida e que fazer um cursinho pode representar uma oportunidade de amadurecimento, desenvolvimento do foco e construção de novas relações antes de uma nova tentativa.
Vale lembrar aos estudantes que a busca por um profissional qualificado pode ajudá-los a entender o quanto antes os seus próprios gatilhos e limites, e que, somados à orientação correta, pode auxilia-los a fim de tornar o período de preparação mais proveitoso, tranquilo e de maior rendimento
O Exame Nacional do Ensino Médio está com data marcada para os próximos domingos, 08/11 e 15/11. Nesta reta final para o exame Os estudantes ainda possuem tempo hábil para buscar auxilio em busca de uma melhor estabilidade emocional. É importante destacar a importância em estabelecer metas realistas e não abdicar dos momentos de lazer que também são praticas consideráveis para manter o autocuidado e uma rotina saudável de estudo.


