Projeto apresentado enfrenta o desafio de ensinar respeitando diferentes formas de aprender Crédito: Divulgação

O Inovamun realizou, na última terça-feira, 25/8, a 6ª edição do Ideathon Maratona de Ideias e Inovação, que reuniu cerca de 250 pessoas na Associação dos Funcionários do Município de Uruguaiana (AFMU). O evento tem apoio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação e contou com 150 estudantes de 17 instituições de ensino competindo em cinco categorias: Melhor Pitch; Melhor Potencial de Mercado; Maior Impacto Social; Espírito Empreendedor; Projeto Mais Inovador.

O Instituto Estadual Romaguera Corrêa foi representado por uma equipe formada por seis estudantes do Ensino Médio e, em sua terceira participacao na iniciativa, conquistou o prêmio de Projeto Mais Inovador.

Na categoria Melhor Pitch, o projeto vencedor foi o Metapampa, do Instituto Laura Vicuña. O prêmio de Maior Potencial de Mercado foi entregue ao projeto Mercatto, da Escola Elisa Ferrari Valls. Na categoria Maior Impacto Social, o vencedor foi o projeto Baita Feira, da Escola Marília Sanchotene Felice. O projeto Via Fronteira, do Colégio União, conquistou a categoria Espírito Empreendedor.

A equipe

O grupo é formado pelos estudantes André Vinícius Rodrigues, Gabriel Prato, Gustavo Gonçalves , Luiza Miranda, Thifany Toledo e Victor Lara, acompanhados pelos professores Andrelize Correa, Carlos Eduardo Fagundes e Marta Helena de Almeida.

A escola pública enfrentou mais uma vez o desafio de apresentar uma proposta inovadora em um espaço que reúne criatividade, conhecimento, empreendedorismo e desenvolvimento de ideias. A participação, para o grupo, ganhou um significado ainda maior diante de uma realidade conhecida por muitas escolas públicas: a disponibilidade limitada de recursos pedagógicos e tecnológicos.

No entanto, a falta de recursos não impediu que os estudantes sonhassem, criassem e colocassem suas ideias em prática. Pelo contrário, a experiência demonstrou que inovação também nasce da criatividade, da colaboração, do conhecimento construído ao longo da vida e, principalmente, da disposição para aprender e fazer acontecer.

O projeto

O reconhecimento veio pelo projeto Consolidação da Aprendizagem com Identidade (CAI). “Mais do que uma premiação, a conquista representa o resultado de um percurso construído coletivamente e marcado pelo envolvimento dos estudantes do início ao fim”, avalia Marta Helena de Almeida.

O projeto foi criado em um turno. De acordo com Fagundes, o tema do projeto é sorteado no momento da competicao e a partir daí as equipes têm cerca de três horas para criar uma solucao inovadora para o desafio. No caso da equipe, o tema foi Educação e o desafio foi o desenteresse dos estudantes pela aprendizagem.

“A ideia nasceu de uma inquietação bastante presente no otidiano escolar: como fazer com que cada estudante consiga aprender considerando suas próprias características, potencialidades e formas de aprendizagem?”, diz o Professor. “Foi dessa reflexão que surgiu o CAI”, complementa.

A proposta busca tornar o processo de aprendizagem mais individualizado, significativo e próximo da realidade de cada estudante. Na plataforma, o aluno é convidado a construir seu próprio Avatar, que passa a representá-lo durante sua trajetória. A partir daí, participa de missões, recebe desafios e é direcionado para materiais e atividades que procuram se adequar à sua maneira de aprender. “A ideia é simples, mas muito significativa: os estudantes não aprendem todos da mesma maneira. Por isso, oferecer diferentes caminhos, recursos e estratégias pode contribuir para que cada um encontre formas mais adequadas de construir seu conhecimento”, finaliza.

O protagonismo da gurizada

Um dos grandes destaques da participação da escola foi o protagonismo dos estudantes. Durante o desenvolvimento do projeto, cada integrante contribuiu com suas habilidades, conhecimentos, percepções e experiências, mostrando que uma equipe se fortalece justamente quando diferentes potencialidades conseguem trabalhar juntas.

Criatividade, bom senso, conhecimento empírico, capacidade de ouvir, argumentar, reformular ideias e trabalhar em equipe foram fundamentais para que o projeto avançasse. Os estudantes não foram apenas participantes de uma atividade: foram os protagonistas da construção da proposta.

“O Ideathon proporcionou justamente esse espaço. Ao longo do evento, as equipes puderam contar com a acolhida e o acompanhamento de profissionais que auxiliaram no desenvolvimento das ideias, orientando os participantes e contribuindo para que cada projeto pudesse chegar a uma proposta mais estruturada e consistente”, explica Carlos Eduardo.

Uma experiência que vai além da premiação

A conquista do Projeto Mais Inovador representa, para o Instituto Estadual Romaguera Corrêa, muito mais do que um troféu ou um reconhecimento. É a confirmação de que a escola pública pode ocupar espaços de inovação, apresentar ideias, desenvolver projetos e competir em igualdade quando seus estudantes encontram oportunidades para mostrar aquilo que sabem e são capazes de criar. A terceira participação da escola no Ideathon deixa também uma importante aprendizagem: não é necessário ter todos os recursos disponíveis para começar. É preciso ter um “baita” desafio, disposição para aprender, coragem para tentar e pessoas dispostas a construir juntas.

André, Gabriel, Gustavo, Luiza, Thifany e Victor mostraram isso ao longo de todo o percurso. Com o acompanhamento dos professores Andrelize, Carlos e Martinha, transformaram uma ideia em projeto e levaram o nome do Instituto Estadual Romaguera Corrêa ao reconhecimento entre as propostas apresentadas no evento. “Em minha terceira participação, o Ideathon nos proporcionou uma nova chance de brilhar nossas ideias, com uma equipe fantástica, fizemos valer a criatividade e proatividade ao desenvolvermos uma solução inovadora no âmbito da educação”, avalia Gabriel Prato.

O CAI nasceu como uma ideia. No 6º Ideathon, ganhou forma, voz e reconhecimento. E, acima de tudo, mostrou que quando a gurizada tem espaço para criar, ela também tem muito a ensinar.