Nesta sexta-feira, o General Firmino e o Tenente-Coronel Hélio apresentaram as ações do simulado realizado na quinta-feira. Crédito: divulgação/2ª BDA C Mec.

O Exército Brasileiro iniciou, na quinta-feira, 27/8, o Exercício Mão Amiga 2026, atividade destinada a preparar e integrar instituições para a atuação em situações de emergência e calamidade pública. Coordenado pela 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada e pela Coordenadoria Regional de Defesa Civil, o treinamento ocorre simultaneamente em Uruguaiana, Quaraí, Barra do Quaraí, Alegrete, Manoel Viana e São Francisco de Assis.

Em Uruguaiana, a programação foi realizada no 8º Regimento de Cavalaria Mecanizado (8º RC Mec) e reuniu representantes do Exército, da Defesa Civil, das forças de segurança, de secretarias municipais e de outros órgãos públicos. Também participaram prefeitos, representantes das concessionárias de água e energia e demais instituições envolvidas na proteção e assistência à população.

A iniciativa possui caráter preventivo e utiliza situações hipotéticas para avaliar a capacidade de resposta dos órgãos diante de eventos climáticos severos. Entre os cenários trabalhados estão inundações, vendavais, chuvas intensas, interrupções no fornecimento de energia elétrica e problemas no abastecimento de água potável.

Em cada município, uma organização militar subordinada à 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada ficou responsável pela condução das atividades. Dessa forma, os exercícios puderam considerar as características, estruturas disponíveis e principais vulnerabilidades de cada localidade.

Preparação para o El Niño

A realização do exercício também está relacionada à preparação para possíveis impactos associados ao fenômeno El Niño, que pode favorecer a ocorrência de eventos climáticos extremos no Sul do Brasil. A previsão de períodos de chuva acima da média, especialmente durante a transição entre o inverno e a primavera, coloca a Fronteira Oeste entre as regiões que exigem atenção e planejamento antecipado.

De acordo com as projeções meteorológicas consideradas no planejamento da atividade, o El Niño 2026/2027 poderá contribuir para o aumento dos volumes de chuva no Rio Grande do Sul. A Fronteira Oeste está entre as áreas que podem registrar episódios de precipitação mais intensa, aumentando a necessidade de preparação para possíveis cheias e enchentes em bacias hidrográficas da região, incluindo a do Rio Uruguai.

A partir desse cenário, os participantes trabalharam com Problemas de Defesa Civil Simulados (PDCS), reproduzindo situações que podem afetar a população durante eventos climáticos extremos. O objetivo foi avaliar as atribuições, capacidades e limitações de cada instituição, além de estabelecer prioridades e procedimentos para diferentes tipos de ocorrência.

O treinamento também permitiu confrontar os planos de contingência já elaborados pelos órgãos participantes e identificar pontos que precisam ser aperfeiçoados. A integração entre as instituições busca garantir que, em uma eventual emergência, as responsabilidades estejam previamente definidas e a comunicação entre as equipes seja mais rápida e eficiente.

Outro resultado da atividade é o levantamento das principais vulnerabilidades dos municípios envolvidos. A identificação antecipada de áreas e serviços mais suscetíveis aos impactos de eventos extremos deverá contribuir para o planejamento de medidas preventivas e para a elaboração de estratégias de resposta.

A partir das informações levantadas durante o exercício, será elaborado um plano de contingência integrado, reunindo contatos, responsabilidades e procedimentos definidos pelos diferentes órgãos. O documento deverá servir como referência para a atuação conjunta diante de uma eventual situação de emergência ou calamidade pública.

Avaliação das atividades

Na manhã desta sexta-feira, 28/8, as organizações militares responsáveis pelas ações nos municípios participaram de uma conferência virtual para apresentar os resultados do primeiro dia do exercício.

Durante a reunião, cada unidade relatou as atividades desenvolvidas na quinta-feira e os principais pontos observados nos cenários simulados. O comandante da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, General de Brigada Sérgio Firmino da Silva Júnior, e o coordenador regional da Defesa Civil, Tenente-Coronel Hélio Soares, acompanharam a reunião e participaram dos esclarecimentos apresentados pelas equipes.

A atividade busca, assim, não apenas testar protocolos, mas fortalecer a articulação entre as instituições que poderão ser mobilizadas em uma situação real. A criação prévia de canais de contato, a definição de responsabilidades e o conhecimento das estruturas disponíveis em cada município são considerados fatores importantes para agilizar a tomada de decisões durante uma emergência.

“Mão Amiga”

O nome do exercício faz referência ao lema do Exército Brasileiro, “Braço Forte, Mão Amiga”. A expressão representa a atuação da instituição em apoio à sociedade, incluindo ações de ajuda humanitária e assistência à população em situações de calamidade pública.

Esse tipo de atuação pode envolver diferentes frentes, conforme as necessidades apresentadas, como apoio logístico, distribuição de água, transporte, trabalhos de engenharia e assistência a comunidades afetadas por eventos adversos.

  • Crédito: divulgação/2ª BDA C Mec.
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