O oeste do Rio Grande do Sul teve um novo registro de anfíbio para a fauna do Pampa. Pesquisadores identificaram em São Borja exemplares de Trachycephalus typhonius, espécie conhecida popularmente como perereca-leiteira. O registro é o primeiro da espécie no Pampa brasileiro e amplia para 64 o número de anfíbios conhecidos no bioma.
A identificação foi publicada na revista científica Herpetology Notes, em estudo assinado por Teilor C. Koscrevic, Letícia B. Miolo, Amanda J. C. Brum e Tiago G. dos Santos, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e integrante da Rede Campos Sulinos.
O encontro ocorreu a partir da identificação do canto característico dos animais. Durante o trabalho de campo, os pesquisadores localizaram aproximadamente dez machos vocalizando em uma lagoa temporária situada a cerca de 4,65 quilômetros do rio Uruguai, em uma área próxima à fronteira entre Brasil e Argentina.
A espécie apresenta uma ampla distribuição pela América do Sul e demonstra capacidade de ocupar diferentes tipos de ambientes. Além de áreas naturais, como campos e florestas, a perereca-leiteira também pode ser encontrada em locais transformados pela ação humana, entre eles lavouras e regiões urbanizadas.
O nome popular da espécie está relacionado a uma característica peculiar de sua pele. As glândulas do animal produzem uma secreção de aspecto esbranquiçado e textura pegajosa, uma particularidade que contribui para a denominação de perereca-leiteira.
Mais do que acrescentar uma espécie à lista de anfíbios conhecidos no Pampa, o registro em São Borja chama atenção para o quanto ainda pode haver a ser descoberto sobre a fauna do extremo oeste gaúcho. A região possui histórico de menor volume de pesquisas relacionadas à herpetofauna, conjunto formado por anfíbios e répteis.
Região estratégica para a fauna
A posição geográfica do oeste do Rio Grande do Sul também aumenta a importância dos registros realizados na área. A região funciona como uma zona de conexão entre diferentes porções dos Pampas distribuídas por Brasil, Argentina e Uruguai, favorecendo a circulação e a interação de espécies.
Nesse contexto, a identificação da Trachycephalus typhonius reforça a necessidade de ampliar os levantamentos de campo. Para os pesquisadores, novas expedições e estudos sistemáticos podem revelar uma diversidade ainda subestimada no Pampa gaúcho.
O registro também contribui para compreender com maior precisão a distribuição das espécies de anfíbios no sul do Brasil. Ao mesmo tempo, evidencia que áreas menos investigadas cientificamente podem guardar informações importantes para o conhecimento e a conservação da biodiversidade regional.


