Pessoas com 85 anos ou mais passam a integrar o público atendido pela vacina pneumocócica 20-valente conjugada, conhecida como Pneumo 20, no Sistema Único de Saúde (SUS). A ampliação foi anunciada pelo Ministério da Saúde e busca aumentar a proteção dos idosos contra doenças provocadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, incluindo quadros graves de pneumonia e meningite.
A distribuição das doses para esse novo grupo começou ainda este mês. Em todo o país, a estimativa é de 2.337.775 pessoas com 85 anos ou mais, com uma meta de imunização de pelo menos 90% desse público. Para receber a vacina, será necessário apresentar um documento que comprove a idade, sem exigência de prescrição médica.
Em Uruguaiana, a vacinação desse grupo ainda aguarda o envio das doses pelo Estado. Conforme a coordenadora de Vigilância Epidemiológica e Imunizações da Secretária Municipal de Saúde (SMS), enfermeira Eduarda Oliveira, o município receberá o quantitativo necessário depois que o governo estadual verificar a demanda e realizar a distribuição.
Ela explica que a aplicação seguirá o fluxo de vacinação de rotina. “Para estes idosos, a vacina deverá ser aplicada no modelo de rotina, ou seja, basta procurar a sala de vacina de referência e comprovar a idade”, informa.
Segundo ela, atualmente o município dispõe da Pneumo 20 para os esquemas de vacinação de rotina destinados às crianças menores de cinco anos. O imunizante também é utilizado em pessoas com determinadas condições de saúde, mediante indicação médica e apresentação de documentação que comprove a situação clínica.
Proteção para idosos
De acordo com o Ministério da Saúde, a população idosa apresenta maior vulnerabilidade às infecções pneumocócicas. O envelhecimento do sistema imunológico, chamado de imunossenescência, associado à presença mais frequente de doenças crônicas e outras comorbidades, pode favorecer a evolução de quadros respiratórios para situações mais graves.
Além da pneumonia e da meningite, uma infecção pneumocócica pode provocar complicações em outros órgãos, atingindo, por exemplo, os sistemas cardíaco, renal e nervoso central. Por isso, a vacinação é considerada uma das estratégias para reduzir complicações, internações e mortes entre os idosos.
Os indicadores nacionais reforçam esse cenário. Entre a população idosa, a taxa de hospitalização por pneumonia de todas as causas foi de 3.097,7 internações por 100 mil habitantes em 2024 e de 2.902,7 por 100 mil em 2025. Entre pessoas com 85 anos ou mais, a taxa de mortalidade por pneumonia chegou a 758,1 óbitos por 100 mil habitantes em 2024, passando para 743,1 por 100 mil em 2025.
Como funciona a vacinação
A indicação da Pneumo 20 para pessoas com 85 anos ou mais depende do histórico de vacinação pneumocócica. Para quem nunca recebeu vacina contra a doença, a recomendação é de uma dose única.
Quem recebeu apenas uma dose da Pneumo 13 ou Pneumo 15 poderá receber uma dose da Pneumo 20, desde que seja respeitado um intervalo mínimo de dois meses. Já para quem tomou somente uma dose da Pneumo 23, o intervalo mínimo indicado é de um ano.
Não há indicação da Pneumo 20 nessa estratégia para quem já recebeu duas doses da Pneumo 23 ou para quem recebeu uma dose da Pneumo 13 ou Pneumo 15 e uma dose da Pneumo 23.
A vacinação poderá ocorrer nas unidades de saúde, em ações extramuros ou por meio de atendimento domiciliar. O Ministério da Saúde também orienta os municípios a realizarem busca ativa de idosos que ainda não tenham recebido as doses necessárias ou estejam com o esquema incompleto, especialmente aqueles com dificuldade de locomoção, fragilidade, comorbidades, dependência funcional ou pouco suporte familiar e social.
A orientação é aproveitar a ida ao serviço de saúde para verificar também a situação das demais vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação do Idoso.
Outros públicos
A Pneumo 20 também permanece disponível para pessoas com condições clínicas especiais. Entre os grupos contemplados estão pessoas vivendo com HIV/aids, pacientes oncológicos com doença em atividade ou até a alta médica, transplantados, pessoas com imunodeficiências, asplenia anatômica ou funcional, fibrose cística, fístula liquórica, imunodepressão terapêutica e implante coclear.
Também estão incluídos pacientes com nefropatias crônicas, em hemodiálise ou com síndrome nefrótica, pneumopatias crônicas, asma persistente moderada ou grave, cardiopatias e hepatopatias crônicas, doenças neurológicas crônicas incapacitantes, trissomias, diabetes e doenças de depósito. Prematuros de até 23 meses também integram a indicação, quando nascidos com até 36 semanas e seis dias de gestação. Para esses casos, é necessário realizar a solicitação junto à Vigilância Epidemiológica, com a documentação médica correspondente.
A Pneumo 20 foi incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação em junho deste ano para crianças menores de cinco anos. O imunizante oferece proteção contra 20 sorotipos do Streptococcus pneumoniae, bactéria associada a infecções respiratórias e outras doenças graves.
A ampliação para outras faixas etárias deverá ocorrer gradualmente, conforme critérios de vulnerabilidade e risco definidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

