Animais foram encaminhados ao Abrigo Municipal, onde recebem alimentação, atendimento veterinário e acompanhamento clínico. Créditos: divulgação.

Na segunda-feira, 3/8, uma mulher, de 48 anos, foi encaminhada à Delegacia de Polícia, após quatro cães serem encontrados em situação de negligência no Loteamento Vitória, no bairro Cidade Nova. O caso ocorre menos de uma semana após outra prisão por suspeita de maus-tratos a animais registrada no município.

Em contato com o CIDADE, o secretário municipal de Segurança e Trânsito, Enabar Padilha, informou que a ocorrência foi atendida por equipes da Guarda Civil Municipal (GCM) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Bem-Estar Animal (Semas). As equipes foram até o endereço para averiguar uma denúncia recebida pelos canais oficiais e encontraram quatro cães no imóvel.

Dois deles apresentavam sinais evidentes de maus-tratos, com quadro de extrema magreza e indícios de desnutrição. Um dos animais era da raça Dogo Argentino e o outro uma cadela sem raça definida. Os outros dois cães não apresentavam o mesmo grau de comprometimento, mas também foram recolhidos em razão das condições do local.

Durante a avaliação inicial, os profissionais identificaram alterações clínicas que exigiam atendimento veterinário imediato. A cadela apresentava lesões de pele compatíveis com sarna e outros sinais que podem indicar infestação parasitária. Já o Dogo Argentino possuía pequenas manchas avermelhadas na região abdominal, conhecidas como petéquias, alteração que pode estar associada a doenças transmitidas por carrapatos, como a erliquiose.

Os quatro animais foram encaminhados ao Abrigo Municipal Rosa Maria Pasqualotto, onde recebem alimentação, água, atendimento veterinário, medicação e acompanhamento clínico. Após a recuperação e novas avaliações, poderão ser disponibilizados para adoção responsável.

Segundo o titular da Semas, Maykol Goulart, o resgate foi possível graças à colaboração da população. “A comunidade é fundamental para o nosso trabalho. Muitas situações chegam ao conhecimento das equipes por meio de denúncias. Nem todas acabam configurando maus-tratos, mas todas são verificadas. Informações como endereço correto, pontos de referência e, sempre que possível, fotos ou vídeos tornam o atendimento mais rápido e eficiente”, destacou.

A tutora foi conduzida pela Guarda Civil Municipal à Delegacia de Polícia, onde a ocorrência foi registrada e os procedimentos legais foram adotados.

Segundo caso em poucos dias

Esta é a segunda prisão por maus-tratos registrada em Uruguaiana em menos de uma semana. No fim de julho, outra mulher foi presa em flagrante no bairro Tabajara Brites após equipes da GCM prestarem apoio à Fiscalização Ambiental durante uma vistoria em um imóvel.

Na ocasião, quatro cães foram encontrados em um terreno com grande quantidade de entulhos, abrigos improvisados e recipientes inadequados para água e alimentação. Os animais apresentavam baixo peso, lesões na pele e falhas na pelagem.

Após avaliação da médica-veterinária Ana Paula Maurique, um laudo confirmou a situação de maus-tratos. A responsável foi presa em flagrante com base no artigo 32, § 1º-A, da Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), enquanto os cães também foram encaminhados ao Abrigo Municipal Rosa Maria Pasqualotto para tratamento.

Problema recorrente

Os dois casos recentes refletem uma realidade enfrentada diariamente pelas equipes da Semas. Somente entre janeiro e junho deste ano, o município registrou 97 atendimentos relacionados a denúncias de maus-tratos contra animais. Segundo a secretaria, a maioria das ocorrências é comunicada à população por meio dos canais oficiais de denúncia.

Os bairros com maior número de registros são o Conjunto Habitacional Doutor Olavo Rodrigues, Cabo Luís Quevedo, Salvador Faraco e João Paulo II.

Maus-tratos contra cães e gatos são considerados crime pela Lei Federal nº 9.605/1998. O artigo 32, § 1º-A, prevê pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda de animais para quem praticar abuso, maus-tratos, ferimentos ou mutilações.

Como denunciar

Casos suspeitos podem ser comunicados à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Bem-Estar Animal pelo WhatsApp (55) 3911-3027. Também é possível registrar denúncias junto à Polícia Civil pelo telefone (55) 3411-3610, pelo número 197 ou diretamente na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), pelo telefone (55) 3412-1127.

A orientação é informar o endereço completo, pontos de referência e, quando possível, encaminhar fotografias ou vídeos que auxiliem as equipes na fiscalização.