A violência contra a mulher voltou a apresentar aumento em um dos principais indicadores acompanhados pela Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS). Os dados referentes a agosto de 2026 apontam crescimento nas ocorrências de lesão corporal contra mulheres em Uruguaiana, mantendo a tendência de alta observada no mês anterior.
Em agosto deste ano, foram registrados 20 casos de lesão corporal contra mulheres no município. No mesmo período de 2025, haviam sido contabilizadas 12 ocorrências. A diferença representa um aumento de 66,7% no número de registros.
Outro dado relacionado à violência de gênero é o feminicídio tentado. Em agosto de 2026, foi registrada uma ocorrência, o mesmo número contabilizado no mesmo mês do ano passado. O crime ocorre quando há uma tentativa de matar uma mulher motivada por sua condição feminina, seja em contexto de violência doméstica e familiar ou por menosprezo e discriminação à condição de mulher, mas a morte não se concretiza por circunstâncias alheias à vontade do agressor.
Já os registros de ameaça permaneceram estáveis. Foram 21 ocorrências em agosto de 2026, exatamente a mesma quantidade registrada no mesmo mês de 2025.
Nos casos de estupro, o indicador apresentou redução. Não houve registro em agosto deste ano, enquanto, no mesmo período de 2025, havia sido contabilizada uma ocorrência.
O feminicídio consumado também não registrou casos em agosto de 2026. No ano passado, havia sido registrada uma ocorrência. A modalidade é caracterizada pelo assassinato de uma mulher em razão de sua condição feminina, especialmente em situações relacionadas à violência doméstica e familiar ou ao menosprezo e à discriminação contra a mulher.
A violência contra a mulher permanece entre os crimes que preocupam as autoridades em todo o país. Em Uruguaiana, o indicador de lesão corporal também apresentou crescimento pelo segundo mês consecutivo.
Em julho de 2025, foram registrados oito casos de lesão corporal contra mulheres. No mesmo mês deste ano, o número chegou a 16 ocorrências, representando uma alta de 100%.
Subnotificação
Os registros oficiais também precisam ser analisados considerando a subnotificação, um dos fatores que dificultam conhecer a dimensão real da violência contra a mulher. Nem todos os episódios chegam ao conhecimento das autoridades, seja porque a vítima decide não registrar a ocorrência ou porque encontra dificuldades para buscar ajuda.
Medo de represálias, dependência emocional ou financeira, vergonha, isolamento e receio de não receber acolhimento podem dificultar a denúncia. Essa diferença entre os casos de violência que efetivamente acontecem e aqueles que chegam ao conhecimento dos órgãos responsáveis é conhecida como cifra negra.
A permanência no ciclo de violência também pode estar relacionada ao medo de revitimização, à desconfiança no sistema de Justiça, à burocracia e ao desconhecimento dos mecanismos de proteção previstos na Lei Maria da Penha. A pressão exercida pelo agressor e o julgamento social também podem contribuir para que a vítima não procure ajuda.
Onde buscar ajuda
A violência contra a mulher pode ocorrer de diferentes formas e não necessariamente deixa marcas visíveis. Além da violência física, ameaças, agressões psicológicas, violência sexual e patrimonial também fazem parte das situações previstas pela legislação de proteção às mulheres.
A Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, recebe denúncias e oferece orientação 24 horas por dia. Em situações de emergência ou quando houver risco imediato, a orientação é acionar a Brigada Militar pelo 190.
Também é possível procurar uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), quando disponível, ou outras delegacias e serviços que integram a rede de proteção às mulheres.


