A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério da Previdência Social, realizou nesta terça-feira, 14/4, a Operação Malthus em Barra do Quaraí. A ação teve como foco desarticular um esquema suspeito de fraudes envolvendo processos migratórios e a concessão de benefícios previdenciários.
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal. Conforme a apuração, não houve prisões durante a ofensiva.
As investigações começaram após a identificação de um número incomum de solicitações de residência apresentadas por estrangeiros que alegavam morar no município. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal. Conforme a apuração, não houve prisões durante a ofensiva.
A situação chamou a atenção especialmente por ocorrer, em parte, durante o período de restrições da pandemia de Covid-19. A análise inicial apontou indícios de que muitos desses pedidos continham dados inverídicos, principalmente relacionados ao endereço declarado.
Em contato com a Polícia Federal, o CIDADE obteve detalhes de que dois moradores de Barra do Quaraí atuavam como intermediários nos trâmites junto à delegacia da corporação em Uruguaiana, unidade responsável pela avaliação dos pedidos. Conforme a investigação, a dupla concentrava a condução dos processos e, em diversos casos, inseria informações falsas para viabilizar a regularização migratória de estrangeiros que não residiam no país.
Além das irregularidades nos processos de residência, também foi identificada uma possível articulação para obtenção indevida de benefícios junto ao Ministério da Previdência Social. Os indícios apontam que estrangeiros que sequer viviam em território nacional teriam sido incluídos como beneficiários, causando prejuízo aos cofres públicos.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos documentos, dispositivos eletrônicos e outros materiais que devem auxiliar no aprofundamento das investigações. Entre os itens recolhidos, chamou a atenção a apreensão de 999.400 pesos uruguaios em posse de um dos investigados. Os valores movimentados pelo grupo, bem como a participação de outros possíveis envolvidos, seguem sob análise.
A Polícia Federal também esclareceu que a atuação de despachantes é permitida, desde que dentro da legalidade, e que os serviços eram remunerados. No entanto, as suspeitas recaem sobre a inserção de informações falsas nos processos, especialmente nas declarações de endereço.
Operação Malthus
O nome da operação faz referência ao economista britânico Thomas Robert Malthus, conhecido por teorias sobre crescimento populacional. Segundo a polícia, a escolha remete ao aumento artificial da população local por meio de registros irregulares, o que poderia não apenas gerar concessões indevidas de benefícios, mas também impactar indicadores oficiais e até processos eleitorais no município.


