O Rio Grande do Sul vai reativar um laboratório de segurança máxima que está parado desde 2009. O governo estadual assinou nesta quinta-feira, 5/11, o contrato de R$ 4,5 milhões para reformar o Laboratório de Contenção Máxima de Nível de Biossegurança 3 (NB3) do Lacen/RS, em Porto Alegre. Hoje, amostras suspeitas de doenças de alto risco, como ebola e gripe aviária, precisam ser enviadas a centros especializados fora do Estado, o que atrasa a confirmação dos casos.
Com o NB3 funcionando, essas análises poderão ser feitas no próprio Lacen. Na prática, isso significa resultados mais rápidos em situações em que o tempo é decisivo para isolar pacientes e conter a circulação de um vírus. O laboratório também deve qualificar exames de rotina, como os de covid-19, influenza e dengue.
Prazo e valores
A empresa Biosafe – Biosegurança do Brasil foi contratada para projetar e executar a reforma de 270 metros quadrados, além de fornecer e instalar os equipamentos. Dos R$ 4,5 milhões, cerca de R$ 1,5 milhão vai para a obra e R$ 3 milhões para equipamentos especializados.
O contrato dura 20 meses: oito para projetos e obras e 12 para manutenção preventiva e corretiva. Ou seja, o laboratório só deve começar a operar daqui a cerca de oito meses, e o governo não informou uma data de reabertura. A fiscalização será feita pela Secretaria de Obras Públicas.
Por que parou
O laboratório chegou a operar com classificação NB3 em 2004, em iniciativa do Ministério da Saúde e do governo estadual. Segundo a SES, a estrutura deixou de atender aos requisitos de segurança por causa da necessidade de atualizações e manutenções de alta complexidade. Desde 2009, está inoperante. O comunicado não explica por que a situação se arrastou por 17 anos, período que incluiu a pandemia de covid-19.
Por que importa
O RS faz fronteira com Argentina e Uruguai, o que o deixa mais exposto à entrada de agentes infecciosos e de novas variantes virais, segundo a secretaria. O Estado enfrentou a epidemia de H1N1 em 2009 e, em 2024, alertas de gripe aviária.
Laboratórios NB3 trabalham com microrganismos capazes de causar doenças graves. Para isso, contam com controle rígido de acesso, ventilação com pressão negativa, filtros de alta eficiência e cabines de segurança biológica.
A secretária da Saúde, Arita Bergmann, afirmou que o Estado ficará “no topo do Brasil em eficácia laboratorial” e poderá obter resultados sem enviar amostras para fora. A secretária de Obras Públicas, Izabel Matte, disse que a contratação “não foi simples” por se tratar de um laboratório com características técnicas bem específicas.


