O comércio apresentou a maior retração entre os setores econômicos, com saldo negativo de 31 empregos formais. Crédito: Helena Biasi/JC.

Uruguaiana encerrou julho com retração na geração de empregos formais, conforme os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Ao longo do mês, foram registradas 712 admissões e 792 desligamentos, resultando em um saldo negativo de 80 postos de trabalho com carteira assinada. O estoque de empregos formais no município ficou em 20.485 vínculos

O resultado representa uma mudança em relação a julho de 2025. Naquele mês, Uruguaiana havia contabilizado 813 contratações e 736 desligamentos, alcançando saldo positivo de 77 vagas. Na comparação entre os dois períodos, o número de admissões caiu 101 registros, uma redução de aproximadamente 12,4%, enquanto os desligamentos aumentaram em 56, alta de 7,6%. Com isso, a diferença entre contratações e demissões passou de um resultado positivo para uma perda de 157 postos de trabalho.

O estoque de empregos formais também recuou. Em julho de 2025, eram 20.645 vínculos ativos, número que caiu para 20.485 um ano depois, uma redução de 160 postos, equivalente a aproximadamente 0,8%.

Comércio concentra maior perda

Entre os grandes setores da economia, o comércio apresentou a maior retração em julho de 2026. Foram 314 admissões e 345 desligamentos, gerando saldo de negativo de 31 postos. O desempenho contrasta com o registrado no mesmo mês de 2025, quando o segmento havia criado 40 vagas, resultado de 304 contratações e 264 desligamentos.

Os serviços também passaram de um cenário de expansão para retração. Em julho deste ano, o setor teve 207 admissões diante de 220 desligamentos, com saldo negativo de 13. No mesmo período de 2025, haviam sido criados 23 postos, com 287 contratações e 264 desligamentos.

A agropecuária registrou saldo negativo de 11 vagas em julho de 2026, resultado de 127 admissões e 138 desligamentos. Um ano antes, o setor havia apresentado saldo positivo de 18 postos, com 150 contratações e 132 desligamentos.

Na indústria, foram 34 admissões e 50 desligamentos, deixando saldo negativo de 16 vagas. Em julho de 2025, o segmento havia registrado saldo negativo de uma vaga. Já a construção civil contabilizou 30 contratações e 39 desligamentos, com perda de nove postos, enquanto no ano anterior o saldo havia sido negativo de três postos.

Setores

A análise por ocupação mostra que a maior parte dos grupos também teve mais desligamentos do que admissões. Entre os resultados negativos, destacam-se os profissionais das ciências e das artes, com saldo negativo de 21 vagas, e os trabalhadores da produção de bens e serviços industriais, com perda de 20 vagas.

Os trabalhadores de serviços administrativos tiveram perda de 18 postos, enquanto os profissionais de reparação e manutenção apresentaram saldo negativo de 15 postos. Trabalhadores dos serviços e vendedores do comércio registraram perda de seis vagas, e trabalhadores agropecuários, florestais e da pesca ficaram com saldo negativo de oito vagas.

Os técnicos de nível médio foram uma das exceções, com 38 admissões e 24 desligamentos, gerando saldo positivo de 14 postos. Outro resultado positivo apareceu entre trabalhadores da produção de bens e serviços industriais, em um dos grupos de classificação, que teve três vagas de saldo.

Em julho de 2025, o cenário ocupacional era mais favorável. Os trabalhadores dos serviços e vendedores do comércio haviam registrado saldo positivo de 47 vagas, enquanto trabalhadores agropecuários, florestais e da pesca tiveram saldo positivo de 24 vagas formais e trabalhadores da produção de bens e serviços industriais, saldo negativo de 23 postos. Técnicos de nível médio também apresentaram resultado positivo, com cinco vagas.

Homens e mulheres negativaram

O comportamento desfavorável do mercado de trabalho atingiu os dois gêneros. Entre os homens, foram 422 admissões e 466 desligamentos, resultando em saldo negativo de 44 postos. Entre as mulheres, ocorreram 290 contratações e 326 desligamentos, com perda de 36 vagas.

Em julho de 2025, a situação era inversa: os homens tiveram saldo positivo de 43 vagas e as mulheres, de 34. Naquele período, foram registradas 505 admissões e 462 desligamentos entre trabalhadores do sexo masculino, enquanto entre as mulheres foram 308 contratações e 274 desligamentos.

Idade

Entre as faixas etárias, os trabalhadores de 40 a 49 anos apresentaram a maior retração em julho de 2026. Foram 110 admissões e 144 desligamentos, resultando em saldo negativo de 34 postos.

Também houve redução de empregos entre pessoas de 30 a 39 anos, com perda de 16 vagas; de 25 a 29 anos, com redução de 15 postos; de 65 anos ou mais, com 13 vagas a menos; e de 50 a 64 anos, com perda de 11 empregos. Entre os trabalhadores de 18 a 24 anos, a redução foi de duas vagas. A única faixa etária a apresentar saldo positivo foi a de trabalhadores com até 17 anos. Foram 17 admissões e seis desligamentos, com abertura de 11 postos.

Em julho de 2025, o cenário era diferente. As faixas de até 49 anos apresentaram resultados positivos. Os grupos de 18 a 24 anos e de 25 a 29 anos tiveram, cada um, 26 vagas criadas, enquanto trabalhadores de 30 a 39 anos registraram saldo positivo de 22 postos. Entre pessoas de 40 a 49 anos, houve abertura de uma vaga.

Escolaridade

Os trabalhadores com ensino médio completo apresentaram a maior perda de empregos entre os diferentes níveis de escolaridade. Foram 475 admissões e 512 desligamentos, resultando em saldo negativo de 37 postos.

Também registraram retração os trabalhadores com ensino fundamental incompleto, com perda de 24 vagas; ensino fundamental completo, com 14 postos a menos; ensino superior completo, com redução de nove vagas; e ensino superior incompleto, com perda de dois empregos. Houve saldo positivo entre trabalhadores analfabetos e aqueles com ensino médio incompleto, com três vagas criadas em cada grupo.

Em julho de 2025, trabalhadores com ensino médio completo haviam registrado saldo positivo de 55 vagas. O grupo com ensino fundamental incompleto teve abertura de 44 postos, enquanto trabalhadores com ensino superior incompleto registraram seis vagas criadas. Naquele mês, a maior retração ocorreu entre pessoas com ensino superior completo, que tiveram perda de 17 postos.