Cerimônia teve formatura de tropas e homenagens aos combatentes Foto: Gabriela Barcellos/JC

O Exército Brasileiro realizou, na manhã desta sexta-feira, 19/9, cerimônia alusiva aos 161 anos da Retomada de Uruguaiana na Guerra do Paraguai. O ato ocorreu no cruzamento da Avenida Presidente Vargas com a Rua Flores da Cunha, junto ao Obelisco. Este é o exato local onde as tropas paraguaias, comandadas por pelo general Antônio de la Cruz Estigarribia se renderam diante das forças da Tríplice Aliança — Brasil, Argentina e Uruguai —, devolvendo o município ao território brasileiro e iniciando a expulsão definitiva das tropas de Francisco Solano López do Rio Grande do Sul.

A cerimônia desta sexta-feira foi presidida pelo general Sérgio Firmino da Silva Júnior, comandante da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, e reuniu autoridades civis e militares, entre elas o prefeito Carlos Delgado (PP), o presidente da Câmara, vereador José Clemente Corrêa (Podemos) e o diretor do Foro, juiz de Direito Hábner Lacerda Salmazo.

O ato contou com formatura de tropas e homenagens aos combatentes em um dos cenários mais simbólicos da história local. Foi ali, junto ao Obelisco, que Estigarribia depôs as armas diante das forças aliadas em 18 de setembro de 1865, após 44 dias de ocupação paraguaia. A rendição, negociada, evitou um combate urbano sangrento e contou com a presença do Imperador Dom Pedro II e dos presidentes Bartolomé Mitre, da Argentina, e Venancio Flores, do Uruguai — um dos raros momentos em que os três chefes de Estado da aliança estiveram reunidos no campo de batalha.

A cerimônia teve ainda a participação do Movimento Tradicionalista Gaúcho, a presença de cavalarianos e um desfile representativo.

Retomada de Uruguaiana

A retomada de Uruguaiana representou o ponto de virada da fase inicial da Guerra do Paraguai na região Sul: a partir dela, as tropas de Solano López foram definitivamente expulsas do território brasileiro, mudando o rumo do conflito na bacia do Prata.

Os números do episódio ajudam a dimensionar o que foi o cerco. Cerca de sete mil soldados paraguaios permaneciam encerrados na cidade quando as forças da Tríplice Aliança — aproximadamente 17 mil homens, entre brasileiros, argentinos e uruguaios — fecharam o cerco em torno de Uruguaiana.

Mais de cinco mil paraguaios depuseram as armas e foram feitos prisioneiros. As baixas registradas durante as semanas de cerco, porém, não têm número preciso nos registros históricos — a maioria não ocorreu em combate, mas em decorrência de doenças e da fome, já que o abastecimento da guarnição estava cortado desde a derrota paraguaia na Batalha Naval do Riachuelo, em junho de 1865.

Cento e sessenta e um anos depois, a cerimônia desta sexta-feira renovou a memória de um dos capítulos mais decisivos da história do município. Mais do que a celebração de uma data, o ato reafirmou o vínculo entre o Exército e a comunidade e a lembrança de uma Uruguaiana que conheceu, na própria pele, o custo da guerra — e que hoje guarda a retomada como símbolo de resistência e identidade.

  • Evento ocorreu no exato local onde as tropas paraguaias se renderam diante das forças da Tríplice Aliança Foto: Gabriela Barcellos/JC
  • Cerimônia teve formatura de tropas e homenagens aos combatentes Foto: Gabriela Barcellos/JC
  • Houve também a presença de cavalarianos representando o Movimento Tradicionalista Gaúcho Foto: Gabriela Barcellos/JC