Tenente-coronel Maciel Lopes detalhou os níveis de risco e as estratégias previstas para cada cenário. Crédito: Thiago Valença/Secom PMU/Especial JC.

Um plano integrado para orientar a atuação dos órgãos públicos diante de possíveis eventos climáticos extremos foi apresentado na manhã desta quinta-feira, 17/9, em Uruguaiana. O documento foi elaborado a partir das atividades do Exercício Mão Amiga 2026, coordenado pelo Exército Brasileiro, e reúne estratégias de resposta que poderão ser adotadas em situações como elevação do nível do Rio Uruguai, chuvas intensas, vendavais e queda de granizo. 

A apresentação ocorreu no Salão Nobre da Prefeitura e reuniu o prefeito Carlos Delgado, representantes de órgãos municipais, estaduais e federais, além de integrantes de associações de moradores, entidades da sociedade civil e veículos de imprensa. 

O planejamento começou a ser estruturado a partir das reuniões realizadas desde 27 de agosto, quando diferentes instituições passaram a discutir cenários de emergência, recursos disponíveis e formas de atuação conjunta. A proposta é estabelecer previamente as atribuições de cada órgão para que, diante de uma ocorrência, a mobilização seja mais organizada e rápida. 

Durante a apresentação, o tenente-coronel Maciel Lopes, comandante do 8º Regimento de Cavalaria Mecanizado (8º RC Mec), detalhou as estratégias previstas para diferentes níveis de risco. Foram considerados tanto os possíveis impactos relacionados ao Rio Uruguai quanto ocorrências provocadas por fenômenos como vendavais e granizo. 

O planejamento também estabelece estágios operacionais para cada cenário e define quais ações ficam sob responsabilidade das instituições envolvidas. A estrutura de abrigos, os equipamentos disponíveis e os recursos que podem ser empregados em uma eventual emergência também fizeram parte da exposição. 

A elaboração do documento tem como objetivo antecipar decisões que, em uma situação de emergência, poderiam comprometer o tempo de resposta das equipes. 

Para o coordenador municipal da Defesa Civil, Paulo Woutheres, a integração entre as instituições é fundamental para que as ações possam ser executadas de maneira coordenada. “Esse alinhamento é fundamental para a rapidez e eficácia das ações. O monitoramento é constante e em Uruguaiana sempre trabalhamos com viés preventivo. A união e o diálogo por parte das instituições tornam o trabalho mais assertivo e transparente para a ordem das iniciativas dentro da atuação”, destaca. 

O planejamento considera ainda possíveis impactos de eventos climáticos associados ao fenômeno El Niño durante o período de 2026/2027. As projeções utilizadas na preparação apontam para a possibilidade de períodos com chuva acima da média no Rio Grande do Sul, especialmente durante a transição entre o inverno e a primavera. 

Na Fronteira Oeste, a atenção se concentra também nos efeitos que episódios de precipitação intensa podem provocar nas bacias hidrográficas, incluindo a do Rio Uruguai. 

Primeira e segunda fase 

O Exercício Mão Amiga 2026 teve início no dia 27 de agosto, no 8º RC Mec. A primeira etapa reuniu prefeitos, representantes de concessionárias de água e energia e outras instituições relacionadas à proteção e assistência da população. 

Durante as atividades, foram trabalhadas situações hipotéticas envolvendo eventos climáticos severos. Os cenários considerados incluíram inundações, vendavais, chuvas intensas, interrupções no fornecimento de energia elétrica e problemas no abastecimento de água potável. 

A metodologia também levou em consideração as características específicas de cada município, suas estruturas disponíveis e principais vulnerabilidades. Para conduzir as atividades, uma organização militar subordinada à 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada ficou responsável pelo exercício em cada cidade. 

Os participantes trabalharam ainda com os chamados Problemas de Defesa Civil Simulados (PDCS), que reproduziram situações que poderiam afetar a população durante eventos extremos. A partir desses cenários, foram analisadas as atribuições, capacidades e limitações de cada instituição, além das prioridades e procedimentos necessários para diferentes tipos de ocorrência. 

A segunda fase do exercício foi encerrada no dia 9 de setembro, em uma atividade realizada no 22º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado (22º GAC AP. A programação reuniu representantes das Forças Armadas, Defesa Civil, órgãos de segurança pública, secretarias municipais e outras instituições envolvidas na proteção e assistência à população. 

A etapa foi marcada pelo chamado apronto operacional, momento em que cada instituição apresentou seus efetivos, veículos, equipamentos e demais recursos disponíveis. O objetivo foi verificar, na prática, quais capacidades poderiam ser empregadas e quais limitações deveriam ser consideradas em uma eventual mobilização. 

Efetivo 

O Pelotão de Polícia do Exército (PEL PE) participou com 14 militares, duas viaturas 3/4 e uma viatura de cinco toneladas. O 8º Regimento de Cavalaria Mecanizado (8º RC Mec) apresentou 91 militares e 13 viaturas, sendo uma ambulância, três veículos leves, dois blindados Guarani e sete veículos de cinco toneladas. 

Já o 22º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado (22º GAC AP) contou com 50 militares, uma ambulância, quatro viaturas de cinco toneladas e uma viatura 3/4 de tonelada. Pelo 13º Batalhão de Bombeiro Militar (13º BBM), foram apresentados dois militares, uma embarcação, uma viatura tática e um caminhão de combate a incêndio. 

O 6º Batalhão de Polícia de Choque (6º BPChoque) participou com dois militares, duas viaturas táticas e duas embarcações. O 47º Batalhão de Polícia Militar (47º BPM) apresentou oito militares, uma viatura tática, uma embarcação, um guincho, um micro-ônibus e três motocicletas. 

A Delegacia Fluvial participou com seis militares, duas viaturas táticas e uma embarcação. O 2º Pelotão Ambiental disponibilizou duas viaturas e uma embarcação. Já a Defesa Civil contou com oito integrantes, quatro viaturas, um caminhão cargo e um micro-ônibus. A Ronda Ostensiva Municipal (Romu) participou com 12 guardas, quatro viaturas e duas motocicletas. 

O levantamento permitiu confrontar os recursos disponíveis com os diferentes cenários trabalhados durante o exercício. A partir disso, as instituições puderam identificar as estruturas que podem ser empregadas em cada situação e os pontos que ainda necessitam de aprimoramento. 

Resposta a possíveis emergências 

Além da verificação dos recursos, o Exercício Mão Amiga também serviu para revisar os planos de contingência existentes e identificar aspectos que precisam ser aperfeiçoados. 

O mapeamento das principais vulnerabilidades dos municípios foi outro ponto trabalhado. A identificação prévia de áreas e serviços mais suscetíveis aos efeitos de eventos extremos pode auxiliar na definição de medidas preventivas e na organização das respostas. 

Com a apresentação realizada nesta quinta-feira, as estratégias elaboradas durante as etapas do exercício foram compartilhadas com o município e demais instituições envolvidas. 

A proposta é que, em uma eventual emergência, as responsabilidades já estejam estabelecidas, os recursos disponíveis sejam conhecidos e os órgãos tenham canais de comunicação previamente alinhados para atuar de maneira integrada. 

  • Representantes de diferentes instituições acompanharam a apresentação do plano de contingência. Crédito: Thiago Valença/Secom PMU/Especial JC.
    Representantes de diferentes instituições acompanharam a apresentação do plano de contingência. Crédito: Thiago Valença/Secom PMU/Especial JC.
  • Representantes de diferentes instituições acompanharam a apresentação do plano de contingência. Crédito: Thiago Valença/Secom PMU/Especial JC.