Nesta sexta-feira, 18/9, Uruguaiana recorda um dos capítulos mais decisivos de sua história: os 161 anos da rendição das tropas paraguaias que ocuparam a cidade durante a Guerra do Paraguai (1864-1870). Após 44 dias sob domínio estrangeiro, a guarnição comandada pelo general Antônio de la Cruz Estigarribia depôs as armas diante das forças da Tríplice Aliança — Brasil, Argentina e Uruguai —, devolvendo o município fronteiriço ao território brasileiro e iniciando a expulsão definitiva das tropas de Francisco Solano López do Rio Grande do Sul.
A data será lembrada em cerimônia realizada no Obelisco, na Avenida Presidente Vargas, às 10h30min. O evento é organizado pela 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada.
À noite, no Cine Prime, ocorre a exibição de estreia do documentário “A Retomada – A Invasão, o Cerco e a Reconquista de Uruguaiana”, produção da UMBU.doc Audiovisuais. A exibição está marcada para às 19h30min.
A guerra chega à fronteira
O conflito, travado contra o governo paraguaio de Solano López, levou Brasil, Argentina e Uruguai a assinarem o Tratado da Tríplice Aliança em 1º de maio de 1865. Na ofensiva seguinte, uma coluna comandada por Estigarribia invadiu o território gaúcho, tomou São Borja em junho e seguiu em direção ao sul. No dia 5 de agosto daquele ano, os paraguaios entraram em Uruguaiana sem encontrar resistência organizada.
Ocupada, a cidade — então um importante entreposto comercial na fronteira com a Argentina — viveu semanas de incerteza: comércio paralisado, casas requisitadas pelas tropas e parte da população deixando o município em busca de refúgio.
O cerco e a presença do imperador
A resposta aliada foi rápida. Desde meados de julho, forças brasileiras, argentinas e uruguaias convergiam para a região, fechando o cerco à cidade, onde Estigarribia mantinha cerca de sete mil soldados. Do lado de fora, aproximadamente 17 mil aliados esperavam pela decisão final.
O episódio ganhou contornos raros na história sul-americana: o imperador Dom Pedro II se deslocou pessoalmente ao sul do país e acompanhou as operações ao lado dos presidentes Bartolomé Mitre, da Argentina, e Venancio Flores, do Uruguai — uma das poucas vezes em que os três chefes de Estado da aliança estiveram reunidos no campo de batalha.
A rendição
A derrota paraguaia na Batalha Naval do Riachuelo, em junho de 1865, já havia cortado as linhas de abastecimento pelo rio e inviabilizado qualquer socorro à guarnição cercada. Sem condições de resistir e diante da exigência de rendição incondicional, Estigarribia aceitou depor as armas.
Em 18 de setembro de 1865, por volta das 15h, o comandante paraguaio se rendeu. O ministro da Guerra do Império, conselheiro Ferraz, conduziu o general à presença do Imperador. As armas foram entregues e a cidade retomada sem que fosse preciso desferir o assalto final — um desfecho que poupou a população de um combate urbano sangrento.
Legado
O Cerco de Uruguaiana entrou para a história como o ponto de virada da fase inicial da Guerra do Paraguai na região Sul: foi a partir dele que as forças de Solano López foram definitivamente expulsas do território brasileiro, mudando o rumo do conflito na bacia do Prata. Os prisioneiros paraguaios foram encaminhados ao interior do país, e a cidade fronteiriça retomou, lentamente, a sua vida comercial.
Cento e sessenta e um anos depois, a memória do episódio segue viva em Uruguaiana — nos registros históricos, na toponímia e na tradição de uma cidade que conheceu, na própria pele, o custo da guerra.

