Município tem 121 notificações da doença, sendo 110 descartadas; enchente do Rio Uruguai não provocou novos registros. Créditos: Thiago Valença/Secom PMU.

Uruguaiana soma dez casos confirmados de dengue desde o início de 2026 e, apesar da enchente que atingiu o município nas últimas semanas, não houve aumento de registros relacionado às cheias. O boletim mais recente da Vigilância Epidemiológica, atualizado na terça-feira, 4/8, às 13h30, aponta ainda 121 notificações de casos suspeitos ao longo do ano.

Do total de notificações, 110 foram descartadas após investigação e exames laboratoriais, enquanto um caso permanece em análise. Até o momento, não houve necessidade de internações relacionadas à doença e nenhuma morte por dengue foi confirmada no município.

Os casos confirmados estão distribuídos por diferentes bairros da cidade. Entre os pacientes estão sete homens e três mulheres, com idades entre 7 e 43 anos. O primeiro caso confirmado foi o de um homem de 32 anos, morador do bairro Rio Branco, em janeiro. Nos dias seguintes, também foram registrados casos entre moradores dos bairros Santo Antônio, Nova Esperança e Cidade Alegria.

Em fevereiro, a Vigilância Epidemiológica confirmou novos casos nos bairros Hípica II e novamente em Nova Esperança. Já em março, houve registros no Distrito Rodoviário e no bairro Alexandre Zachia.

Os dois casos mais recentes foram classificados como importados, ou seja, a infecção ocorreu fora de Uruguaiana. Um deles envolve uma mulher de 21 anos, com confirmação em abril, e o outro um menino de 7 anos, identificado em maio.

Enchente

Apesar da elevação do nível do Rio Uruguai e dos impactos provocados pela enchente, o cenário epidemiológico da dengue permaneceu estável no município. De acordo com a coordenadora de Epidemiologia, enfermeira Eduarda Oliveira, não foram identificados novos casos associados ao período de inundação. Segundo ela, até o momento, a cheia não provocou aumento no número de registros da doença.

A relação entre enchentes e dengue ocorre de forma indireta. Após o recuo das águas, recipientes, entulhos e outros materiais podem permanecer espalhados e acumular água, criando condições favoráveis para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.

Por esse motivo, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) intensificou o monitoramento das áreas próximas ao Rio Uruguai. As equipes percorrem diferentes pontos da cidade, identificam possíveis criadouros e orientam os moradores sobre medidas preventivas para evitar a proliferação do mosquito.

Embora as visitas aos imóveis ocorram regularmente durante todo o ano, o período posterior às cheias exige atenção redobrada. O objetivo é identificar, de forma antecipada, locais que possam favorecer o desenvolvimento do vetor e prevenir o surgimento de novos casos.

Orientação aos moradores

Durante as visitas, as equipes também distribuem materiais informativos com orientações sobre prevenção e os principais sintomas de doenças relacionadas às alterações ambientais provocadas pelas enchentes.

Entre os temas abordados estão dengue, leptospirose, febre amarela e leishmaniose. A iniciativa busca ampliar o acesso à informação e incentivar a adoção de medidas preventivas, especialmente em períodos de maior vulnerabilidade ambiental.

A SMS orienta a população a eliminar recipientes que possam acumular água, manter caixas d’água devidamente tampadas e realizar o descarte correto de objetos que possam servir de criadouros para o mosquito. Também é importante redobrar a atenção após períodos de chuva ou quando houver redução do nível das águas, evitando o acúmulo de água parada em qualquer recipiente.