O Centro de Valorização da Vida (CVV) está com inscrições abertas para a formação de novos voluntários em Uruguaiana. A iniciativa busca ampliar a rede de apoio emocional oferecida pela instituição, que presta acolhimento gratuito, sigiloso e voluntário a pessoas que desejam conversar sobre dificuldades, angústias ou outros desafios da vida.
O CIDADE conversou com o voluntário Jader Santos, que explicou como funciona o trabalho desenvolvido pelo grupo no município e destacou que o curso é voltado a qualquer pessoa interessada em aprender sobre escuta acolhedora, independentemente de decidir seguir ou não como voluntária após a formação.
As inscrições podem ser realizadas até o dia 3 de agosto, por meio do site oficial do CVV, no endereço cvv.org.br/voluntarios/comunidade/uruguaiana-rio-grande-do-sul/. A aula inaugural ocorre na próxima terça-feira, 28/7, das 19h30 às 22h30, enquanto os encontros regulares terão início em 4 de agosto. Ao todo, a capacitação reúne aproximadamente 15 encontros realizados de forma online.
Segundo Jader, o curso aborda desde a história e a organização do CVV até técnicas de acolhimento e escuta ativa. “Além da parte teórica, em que a pessoa conhece como funciona a prevenção, quem procura o CVV e como acontece a relação de ajuda, também são trabalhadas situações práticas de atendimento. Depois, apresentamos as ferramentas de autoconhecimento. Ao final do percurso, a pessoa está preparada para atuar como voluntária e também como facilitadora dessas atividades”, explica.
Trabalho vai além do telefone 188
De acordo com Jader, o trabalho do CVV está dividido em duas frentes principais. A primeira é o atendimento pelo telefone 188, disponível gratuitamente durante 24 horas por dia, além dos canais de chat e e-mail, destinados a qualquer pessoa que precise conversar.
A segunda envolve atividades presenciais e comunitárias, voltadas à promoção do autoconhecimento e da saúde emocional. “Temos palestras, rodas de conversa e projetos como o ‘CineSer’, em que utilizamos filmes para provocar reflexões, e também o Caminho de Renovação Contínua, formado por módulos com perguntas que ajudam a pessoa a olhar para dentro de si mesma”, relata.
Entre os temas abordados nessas atividades estão identidade, princípios, família e sociedade. “Um dos primeiros questionamentos é ‘Quem sou eu?’ e ‘Como me vejo?’. Parece simples, mas muitas pessoas têm dificuldade em responder. O objetivo é justamente incentivar esse olhar para si”, afirma.
Embora a formação seja o caminho para quem deseja integrar o quadro de voluntários, Jader ressalta que qualquer pessoa pode participar. “Mesmo que alguém decida não permanecer como voluntário depois, o curso proporciona aprendizado sobre acolhimento, escuta e autoconhecimento. É uma caminhada de crescimento pessoal e coletivo”, destaca.
A formação começa com encontros introdutórios e, posteriormente, segue com reuniões semanais conduzidas ao vivo por voluntários experientes, permitindo interação entre os participantes e acompanhamento durante todo o processo.
Atualmente, o núcleo do CVV em Uruguaiana conta com oito voluntários. As atividades são desenvolvidas principalmente de forma remota, já que o grupo ainda não possui sede própria.
Segundo Jader, a intenção é encontrar um espaço que permita ampliar as ações presenciais. “Precisamos de um local amplo para as rodas de conversa, com acessibilidade, cozinha para receber as pessoas após os encontros e estrutura adequada para desenvolver as atividades comunitárias”, explica.
Questionado sobre os temas mais frequentes nos atendimentos, Jader afirma que não existe um único perfil de demanda. “Nós ouvimos de tudo. Questões familiares, relacionamentos, perdas, dificuldades emocionais, solidão, problemas vividos por idosos, entre tantas outras situações. O importante é oferecer um espaço de escuta sem julgamentos”, ressalta.
Atuação nacional
Fundado em 1962, em São Paulo, o Centro de Valorização da Vida é uma organização sem fins lucrativos dedicada ao apoio emocional e à prevenção do suicídio. O atendimento é realizado de forma gratuita e confidencial pelo telefone 188, além de chat, e-mail e, em algumas localidades, presencialmente.
Em 2025, a instituição registrou aproximadamente 2 milhões de atendimentos, realizados por cerca de 3,2 mil voluntários distribuídos em 19 estados e no Distrito Federal.
No primeiro trimestre de 2026, o serviço contabilizou 372.001 ligações atendidas pelo número 188 em todo o país. De acordo com o órgão, o primeiro trimestre de 2026 é um período significativo para o Centro de Valorização da Vida, pois marca os 64 anos de fundação da nossa instituição.
Nesse período, mais de 2,2 mil voluntários dedicaram aproximadamente 60 mil horas de trabalho voluntário, sendo que mais de 85% dos atendimentos ocorreram de forma remota. No Rio Grande do Sul, o levantamento aponta 26.157 ligações atendidas entre janeiro e março deste ano, reforçando a procura pelo serviço no Estado.


