O Exército Brasileiro encerrou, na tarde desta quarta-feira, 9/9, o Exercício Mão Amiga 2026, em uma atividade realizada no 22º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado (22º GAC AP), em Uruguaiana. A programação reuniu representantes das Forças Armadas, Defesa Civil, órgãos de segurança pública, secretarias municipais e outras instituições envolvidas na proteção e assistência à população.
A iniciativa tem caráter preventivo e busca ampliar a integração entre a Prefeitura de Uruguaiana, o Exército, a Marinha, órgãos de segurança e demais entidades que poderão atuar conjuntamente diante de situações de emergência. Entre os objetivos está o alinhamento dos planos de contingência e a identificação das estruturas disponíveis para resposta a possíveis ocorrências relacionadas a eventos climáticos severos.
A segunda etapa do exercício foi marcada pelo chamado apronto operacional, quando as instituições apresentaram seus efetivos, veículos, equipamentos e demais recursos disponíveis. A proposta foi verificar, na prática, quais são as capacidades e limitações de cada órgão para uma eventual mobilização.
O ato foi conduzido pelo comandante da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (2ª Bda C Mec), General Sérgio Firmino da Silva Júnior. Durante a tarde, autoridades e participantes puderam conhecer os meios que poderão ser empregados não apenas em Uruguaiana, mas também nos municípios de Quaraí, Barra do Quaraí, Alegrete, Manoel Viana e São Francisco de Assis.
Ao CIDADE, o general Firmino explicou que a atividade foi pensada justamente para aproximar as instituições e permitir que cada uma conheça previamente os recursos que poderão ser acionados em uma situação de calamidade. “Esse exercício de ajuda humanitária, que nós denominamos Mão Amiga, faz referência a um dos motes do Exército Brasileiro, ‘Braço Forte, Mão Amiga’. O braço forte está relacionado à defesa da soberania, enquanto a mão amiga representa o apoio ao povo brasileiro”, afirmou.
Segundo ele, o treinamento permitiu aproximar diferentes estruturas que poderão atuar de maneira conjunta em uma emergência. “Esse exercício serviu para a gente se conhecer melhor, tanto as Forças Armadas, aqui representadas pela 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, quanto a Marinha do Brasil, por meio da Delegacia Fluvial, além dos demais órgãos de segurança pública e agentes civis das diversas secretarias da Prefeitura. Precisamos conhecer e entender as capacidades e limitações de cada ente para uma situação de calamidade pública.”
O comandante também destacou a preocupação com a possibilidade de eventos climáticos extremos e a necessidade de antecipar procedimentos. “Todos nós sabemos, isso vem sendo constantemente noticiado nas mídias, a respeito desse grande El Niño, esse super El Niño que se avizinha e que os meteorologistas têm alertado à população brasileira. No Rio Grande do Sul, sofremos muito nesses eventos, principalmente com enchentes, grandes chuvas, tempestades, granizo e outras ocorrências.”
Conforme Firmino, a experiência recente com eventos climáticos na região reforça a importância do planejamento. “Tivemos alguns episódios, não de grande escala, mas que mostraram o que pode acontecer. Esse exercício foi justamente para aprimorarmos um plano de contingência mais robusto no município de Uruguaiana”, explicou.
A área de atribuição da 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada para ações de segurança integrada abrange seis municípios. De acordo com o General Firmino, a primeira fase do exercício foi desenvolvida individualmente em cada localidade, considerando suas características e estruturas. “Em cada município, fizemos, na primeira fase do exercício, uma simulação construtiva, na qual os órgãos trabalharam juntos para elaborar e aperfeiçoar os planos de contingência já existentes. Agora, nesta segunda fase, realizamos um apronto operacional dos meios disponíveis em cada município.”
O comandante avaliou que a atividade também contribuiu para estabelecer uma rede de contatos entre as instituições. “Esse exercício foi fundamental para nos conhecermos, estabelecermos uma rede de contato, saber a quem chamar, a quem procurar e quais meios cada entidade e cada órgão possui. Assim, conseguimos responder com maior prontidão e presteza às necessidades da sociedade”, acrescentou.
O coordenador municipal da Defesa Civil, Paulo Woutheres, também ressaltou a importância do alinhamento entre os órgãos. Ele afirmou que a preparação antecipada permite tornar as ações mais rápidas e organizadas. “Esse alinhamento é fundamental para a rapidez e eficácia das ações. O monitoramento é constante e, em Uruguaiana, sempre trabalhamos com viés preventivo. A união e o diálogo entre as instituições tornam o trabalho mais assertivo e transparente na definição das iniciativas durante a atuação”, destacou.
Entre as autoridades presentes estavam o comandante do 8º RC Mec, Coronel Maciel Lopes; o comandante do 22º GAC AP, Tenente-Coronel Máximo; a secretária municipal de Administração, Ecilma Herrera; a secretária municipal de Educação, Dirce Soares; a Capitão de Corveta Fernanda Corbage, da Delegacia Fluvial; e a subcomandante do 47º Batalhão de Polícia Militar (BPM), Capitão PM Amanda Mello.
Estrutura apresentada
Durante o encerramento, foram demonstrados os efetivos e equipamentos que poderão ser empregados em uma operação de resposta a emergências. A estrutura apresentada contou com militares, agentes públicos, viaturas, embarcações e veículos de diferentes capacidades.
O Pelotão de Polícia do Exército (PEL PE) participou com 14 militares, duas viaturas 3/4 e uma viatura de cinco toneladas. Já o 8º Regimento de Cavalaria Mecanizado (8º RC Mec) apresentou um efetivo de 91 militares e 13 viaturas, sendo uma ambulância, três veículos leves, dois blindados Guarani e sete veículos de cinco toneladas.
O 22º GAC AP contou com 50 militares, uma ambulância, quatro viaturas de cinco toneladas e uma viatura 3/4 de tonelada. Pelo 13º Batalhão de Bombeiro Militar (13º BBM), foram apresentados dois militares, uma embarcação, uma viatura tática e um caminhão de combate a incêndio. O 6º Batalhão de Polícia de Choque (6º BPChoque) participou com dois militares, duas viaturas táticas e duas embarcações.
O 47º BPM apresentou oito militares, uma viatura tática, uma embarcação, um guincho, um micro-ônibus e três motocicletas. A Delegacia Fluvial participou com seis militares, duas viaturas táticas e uma embarcação.
O 2º Pelotão Ambiental disponibilizou duas viaturas e uma embarcação. Já a Defesa Civil contou com oito integrantes, quatro viaturas, um caminhão cargo e um micro-ônibus. A Ronda Ostensiva Municipal (Romu) participou com 12 guardas, quatro viaturas e duas motocicletas.
Primeira fase
O Exercício Mão Amiga 2026 teve início no dia 27 de agosto, no 8º Regimento de Cavalaria Mecanizado. A primeira etapa contou com a participação de prefeitos, representantes de concessionárias de água e energia e outras instituições ligadas à proteção e assistência da população.
Na ocasião, foram trabalhadas situações hipotéticas relacionadas a eventos climáticos severos. Entre os cenários considerados estavam inundações, vendavais, chuvas intensas, interrupções no fornecimento de energia elétrica e problemas no abastecimento de água potável.
Para conduzir as atividades, uma organização militar subordinada à 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada ficou responsável pelo exercício em cada município. A metodologia permitiu considerar as particularidades locais, as estruturas disponíveis e as principais vulnerabilidades de cada cidade.
Preparação para eventos climáticos
A preparação também considera possíveis impactos associados ao fenômeno El Niño durante o período de 2026/2027. As projeções meteorológicas utilizadas no planejamento apontam para a possibilidade de volumes de chuva acima da média no Rio Grande do Sul, especialmente durante a transição entre o inverno e a primavera.
Nesse contexto, a Fronteira Oeste está entre as regiões que demandam atenção devido à possibilidade de episódios de precipitação intensa e consequentes impactos em bacias hidrográficas, incluindo a do Rio Uruguai.
Durante o exercício, os participantes trabalharam com Problemas de Defesa Civil Simulados (PDCS), reproduzindo situações que poderiam atingir a população durante eventos extremos. A partir desses cenários, foram avaliadas as atribuições, capacidades e limitações de cada instituição, além das prioridades e procedimentos necessários para diferentes tipos de ocorrência.
A atividade também serviu para confrontar os planos de contingência existentes e identificar aspectos que ainda precisam ser aprimorados. A intenção é que, diante de uma emergência real, as responsabilidades estejam previamente estabelecidas e o contato entre as equipes ocorra de forma mais rápida.
Outro ponto trabalhado foi o mapeamento das principais vulnerabilidades dos municípios envolvidos. A identificação antecipada de áreas e serviços mais suscetíveis aos impactos de eventos extremos poderá auxiliar na definição de medidas preventivas e estratégias de resposta.
“Mão Amiga”
A denominação do exercício está ligada ao lema do Exército Brasileiro, “Braço Forte, Mão Amiga”. A expressão representa, entre outras frentes, a atuação da instituição em apoio à população durante situações que exigem assistência humanitária.
Em ocorrências dessa natureza, a atuação pode envolver diferentes tipos de suporte, de acordo com a necessidade apresentada, incluindo apoio logístico, transporte, distribuição de água, trabalhos de engenharia e auxílio a comunidades atingidas por eventos adversos.


