Profissionais da e-DOTT acompanharam o caso desde a suspeita de morte encefálica até a conclusão do processo de doação Foto: Divulgação/HSCU.

O Hospital Santa Casa de Uruguaiana (HSCU) realizou, no último sábado, 29/8, uma nova captação de órgãos que poderá beneficiar pacientes que aguardam por um transplante. O procedimento é resultado de um processo iniciado ainda durante a internação do paciente, após a identificação de sinais compatíveis com morte encefálica e a abertura do protocolo específico para confirmação do diagnóstico.

A condução de todas as etapas ficou sob acompanhamento da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOTT) da instituição. O grupo reúne profissionais de diferentes áreas, entre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais e psicólogos, preparados para atuar tanto nos procedimentos técnicos quanto no acolhimento dos familiares.

A enfermeira da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Adulto e integrante da e-DOTT, Deisy Mello, explicou que a doação segue uma sequência rigorosa de procedimentos. Segundo ela, o processo envolve desde a confirmação da morte encefálica até a identificação dos receptores e a retirada dos órgãos, sendo indispensável a autorização da família.

O acompanhamento teve início após a internação do paciente no Pronto-Socorro, quando surgiu a suspeita de morte encefálica. A partir desse momento, a e-DOTT passou a acompanhar o caso e foi iniciado o Protocolo de Morte Encefálica, seguindo os critérios estabelecidos para a confirmação do diagnóstico.

A Organização de Procura de Órgãos (OPO 6), de Lajeado, e a Central de Transplantes do Estado (CET), em Porto Alegre, foram comunicadas sobre o caso. A confirmação ocorreu por meio de avaliações clínicas realizadas à beira do leito por dois médicos e, posteriormente, de exame de imagem.

Em Uruguaiana, o procedimento utilizado foi a arteriografia cerebral. O exame constatou a ausência de circulação sanguínea no cérebro, permitindo a conclusão do diagnóstico de morte encefálica.

Durante todo o protocolo, os familiares receberam acompanhamento da equipe hospitalar. Para Deisy, esse acolhimento representa uma das etapas mais delicadas de todo o processo. “O trabalho vai muito além da organização de um processo. Somos a ponte entre a generosidade de uma família e a esperança de tantas vidas que aguardam por um transplante”, afirma.

Após a autorização familiar, novos exames foram realizados conforme as solicitações da Central de Transplantes de Porto Alegre. Paralelamente, a equipe da UTI manteve vigilância permanente sobre o potencial doador, com o objetivo de preservar as condições dos órgãos até a realização da captação.

Com a confirmação da doação, a Central de Transplantes realizou a busca por pacientes compatíveis na lista nacional de espera e providenciou os exames necessários para definir os possíveis receptores.

Na sequência, o HSCU recebeu as informações sobre os órgãos que seriam retirados e o cronograma de deslocamento das equipes responsáveis pelo procedimento.

Duas equipes especializadas estiveram em Uruguaiana: uma encarregada da captação de córneas e outra responsável pela retirada de rins e fígado. Após a conclusão do procedimento, o corpo passou pelos trâmites periciais e foi encaminhado à funerária para o traslado até a cidade de origem.

Para Deisy, cada captação representa um momento de esperança para pessoas que enfrentam doenças graves e dependem de um transplante para continuar vivendo. “Cada etapa é conduzida com responsabilidade, sensibilidade e respeito, o que faz toda a diferença para que esse gesto de amor se transforme em novas chances de viver”, destaca a enfermeira.

Apesar da realização da captação, Deisy chama atenção para a diferença entre os casos em que há abertura do protocolo de morte encefálica e aqueles que efetivamente resultam em doação. Desde o início de 2026, o HSCU registrou nove protocolos de morte encefálica, mas somente dois tiveram como desfecho a captação de órgãos.

De acordo com a profissional, o desconhecimento sobre o funcionamento da doação e a permanência de informações equivocadas estão entre os principais obstáculos para a autorização familiar. “As captações realizadas no HSCU representam uma chance real de sobrevivência e de recomeço para quem enfrenta doenças graves e está na longa lista de espera por um transplante”, ressalta.

Setembro Verde

A proximidade do Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, também coloca o tema em evidência. Durante todo o mês, o Setembro Verde busca ampliar a conscientização da população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos e estimular a redução da fila de espera por transplantes.

Em Uruguaiana, o HSCU, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e a Universidade Federal do Pampa (Unipampa), pretende intensificar as atividades de conscientização ao longo de setembro.

A programação inclui divulgação de informações nas redes sociais e palestras em instituições públicas e privadas. Tradicionalmente, também é realizada uma mateada no dia 27 de setembro, na Praça Barão do Rio Branco, reunindo a comunidade em torno da campanha. “Em breve estaremos divulgando nossa programação para o Setembro Verde”, adianta Deisy.

  • Profissionais da e-DOTT acompanharam o caso desde a suspeita de morte encefálica até a conclusão do processo de doação Foto: Divulgação/HSCU.