Setembro está chegando ao fim, mas o alerta do Setembro Amarelo não pode terminar junto com o mês. Falar sobre saúde mental é falar sobre vida, sobre acolhimento, sobre sofrimento e, principalmente, sobre a importância de não deixar ninguém enfrentar suas dores sozinho.

O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização e prevenção do suicídio. A prevenção deve ocorrer sempre, não só no momento momento extremo. É preciso olhar para aquilo que muitas vezes aparece antes: a tristeza que não passa, a ansiedade que paralisa, o isolamento, a falta de esperança, a irritabilidade, a perda de interesse pelas coisas que antes davam prazer e tantas outras manifestações que podem indicar que algo não está bem.

Existem diferentes transtornos e condições que podem afetar a saúde mental, como depressão, transtornos de ansiedade, transtorno bipolar, transtornos alimentares, transtorno obsessivo-compulsivo, entre outros. Cada pessoa vivencia essas situações de uma maneira. Por isso, não devemos transformar sofrimento em julgamento, nem acreditar que basta “ter força de vontade” para superar uma doença mental.

Também se tem muito preconceito. Há quem esconda sua dor por medo de ser considerado fraco, exagerado ou incapaz. E é justamente aí que precisamos mudar nosso olhar. Procurar ajuda não é sinal de fraqueza. É um ato de cuidado e, muitas vezes, de coragem.

Cuidar da saúde mental envolve atitudes cotidianas: estabelecer limites, dormir adequadamente, manter vínculos afetivos, praticar atividades que proporcionem bem-estar, buscar momentos de descanso e, principalmente, conversar quando algo não estiver bem. Quando necessário, o acompanhamento de psicólogos, psiquiatras e outros profissionais de saúde é fundamental.

Precisamos aprender a perguntar não apenas “como você está?”, mas a realmente escutar a resposta. Sem pressa, sem julgamentos e sem oferecer respostas prontas para dores que não conhecemos.E também tem a responsabilidade coletiva nessa discussão. Famílias, escolas, universidades, locais de trabalho, serviços de saúde e toda a sociedade precisam construir espaços onde as pessoas possam falar sobre suas emoções e buscar ajuda sem vergonha.

Setembro termina, mas o cuidado, não, que o amarelo continue nos lembrando, durante todos os meses do ano, de que nenhuma vida deve ser invisível e de que acolher também é uma forma de salvar vidas. Precisamos entender que cuidar da saúde mental é, antes de tudo, cuidar da própria vida e da vida de quem está ao nosso lado.