Cicico Dornelles/Arquivo JC.

Estas não são aquelas das altas taxas. As “blusinhas” que falo são as tradicionais, feitas de lã, que abrigam, vestem adequadamente e que por sua qualidade, não enganam ninguém. A novidade é que elas estão retornando à nossa preferência por virtudes unicamente suas. Voltam por si só, sem nenhuma “mãozinha” sequer, de quem por obrigação, deveria ter agido em seu favor e das milhares de famílias que tiveram que abandonar o campo e encarar a pobreza, perambulando sem norte pelas cidades. As blusinhas já estão nas lojas especializadas, comandando uma nova etapa da utilização da lã, que agora ungida por resultados de pesquisas, terá novas ocupações, como a de fertilizante, como isolante termoacústico, (substituindo lã de vidro), auxiliar na produção de mudas, protegendo contra formigas e outros predadores, formando um tecido que impede a circulação dos insetos, na construção civil com várias utilizações, para a retenção de umidade em hortas e pomares e impacto térmico no solo, na agricultura regenerativa reduzindo o consumo de água. E claro, mais ainda, na exclamação da elegância, oferecendo tipos e virtudes que a vaidade sempre sonhou, mas que oprimida pela velocidade da indústria, não acompanhava o ritmo da competição.

Demorou para cair a ficha, até dos produtores, que ocupados com a produção e a qualidade dos animais, esqueceram de acompanhar as necessidades do mundo e entender que nelas estava o que mais sabiam produzir. As novidades apenas não chegaram nos governos que, pelo desleixo habitual, nem mesmo souberam das dificuldades, naqueles piores momentos, quando os envolvidos tiveram que deixar a atividade e buscar outra maneira de encarar a vida.

Mas uma hora as coisas mudam e com a lã não foi diferente. Bastou a necessidade de mais fôlego para enfrentar as altas taxas de carbono para novamente a fibra que leva na sua composição grandes quantidades desse elemento e que por isso é biodegradável, ser valorizada. Olhem esta simples sequência: Ao comprarmos uma roupa de lã, estamos suprimindo do ambiente todo o carbono que a ovelha ingeriu com o pasto, a lã foi produzida, esquilada, lavada, fiada, tecida e virou roupa e que ao ser descartada, vai ser totalmente degradada. Diferentemente dos tecidos sintéticos que não se decompõem, nunca terminam e acabam causando transtornos ambientais pelo espaço que ocupam quando descartados (ver montanhas de roupas sintéticas no deserto de Atacama que são refugadas do uso pelos europeus e lá jogadas clandestinamente).

As blusinhas estão voltando para o mundo respirar melhor, para a vida ser mais pura e saudável e para todos entenderem que basta olhar ao redor que ali estão as soluções para qualquer impasse produtivo. A rubrica lã ainda está longe de atingir os patamares onde habitava, mas voltando com força, agora não só para abrigar do frio, mas mais moderna e eficiente, fazendo parte do protagonismo pela conservação do planeta.

Olhem o que os políticos perderam! Imaginem se tivessem dado uma mãozinha apenas, que discurso estariam fazendo agora nas vésperas da eleição.