Os animais estão sendo expulsos do seu habitat natural pelos javalis. Sem opção acabam nas margens das rodovias, onde a suposta atenção ambiental deixou crescer árvores e arbustos que se tornaram abrigos. Isso também se aplica aos animais que vivem longe dos matos, que recebem esse presente de ter um bom local para se abrigar. Foi juntar a fome com a vontade de comer. De um lado aqueles que tinham a responsabilidade de “limpar” as estradas, agora desobrigados, do outro, essa ideia ambientalista mal-acabada de ter mais árvores, mas sem entender os resultados. Agora centenas de sorros, raposas e capivaras, entre outros, vivem nesses locais, ou melhor, morrem nesses locais ao tentar se deslocar pela estrada, provocando acidentes muitas vezes fatais para ambos os participantes.
Essa constatação da existência de florestas as margens das rodovias, que indiscutivelmente tranquiliza quem tem essa preocupação ambiental, nos traz duas razões para serem analisadas: A primeira é a de que a natureza está muito viva e tem a suficiente força de reação para enfrentar o desmatamento, basta observar margens de rodovias como a BR-472, em Barra do Quaraí por
exemplo ou na Br-290 em quase toda a sua extensão. Bastou pararem de colocar fogo para “limpar” a vegetação que nascia ou roçar esses locais que a resposta foi definitiva e vibrante: Verdadeiras florestas apareceram e embora as questões de trânsito tenham sido meio que obscurecidas, a ansiedade dos poetas ambientalistas parece estar contemplada.
A segunda é que a própria solução é capaz de se transformar em problema maior, de ser algoz de várias espécies de mamíferos, que em busca de bons abrigos, se longe dos matos, preferem essas localidades, mas com o ônus de ao tentarem se locomover, terem que atravessar as pistas e invariavelmente serem atropeladas, como se estivessem condenadas a morrer. Se for à noite ou em horários de fluxo intenso de caminhões, centenas desses animais são atropelados, quem passa nessas estradas certamente já viu várias carcaças em poucos quilômetros. Como contemplar essas necessidades? Multiplicar árvores ou preservar a fauna? Por enquanto, nesse andar, só as árvores estão sendo preservadas, enquanto os bichos… Certamente isso não foi uma escolha dos responsáveis pelo setor rodoviário, mas uma tentativa de fazer eco aos movimentos ambientalistas no calor das discussões teóricas, no conforto dos escritórios ou bares das grandes cidades, onde tomam decisões que, lamentavelmente, não chegam nem perto da realidade.
Faltou uma do infortúnio que vem na esteira desse desastre ambiental. Os acidentes que já provocaram centenas de mortes e prejuízos materiais aos usuários dessas rodovias. Como impedir que os animais procurem esse abrigo? Como evitar que eles se desloquem à noite em busca de um lugar mais aconchegante? Como ensiná-los que não devem atravessar a estrada principalmente à noite para buscar o alimento necessário?
Essa forma de preservar o meio ambiente é extremamente cruel com os usuários da estrada e com os animais. Mais uma rodada para os sábios da natureza?


