SUPERMERCADO
Alta nos preços preocupa consumidor uruguaianense
Clarisse Amaral/JC imagem ilustrativa - fireção ilustrativa - Um dos grandes motivadores da alta dos alimentos é o clima abrupto que impede o desenvolvimento das culturas
Nos últimos meses, diversos alimentos essenciais na dieta dos brasileiros, como ovos, café, azeite e tomate, registraram aumentos significativos de preço. Os fatores atribuídos para esse acréscimo no valor são o clima adverso, custo de produção alto e oscilações no mercado internacional. Em Uruguaiana, o cenário não é diferente, com registros desta semana que comprovam que o tomate, que apresenta subida de 50%, de acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/Ascar da última semana, pode chegar até R$ 8,99 nos supermercados da cidade.
Neste caso, a Emater/Ascar justifica que a onda de calor acelerou a colheita do tomate em fevereiro e diminuiu os volumes neste mês de março, provocando forte alta nos preços. Ainda, a instituição destaca que esses preços elevados do tomate são normais entre fim de março e início de abril, por ser final da safra. Em anos anteriores, o produto chegou a R$ 8 o quilo, o que já se repete em Uruguaiana, onde a média geral de valor do hortigranjeiro está em R$ 7,90.
O relatório conjuntural da Emater/Ascar da semana entre 21 e 26 de março, destaca o brócolis e o repolho verde entre as verduras que apresentaram maior elevação de valor no período. O brócolis comercializado na região sul do país provém, quase todo, do Rio Grande do Sul.
O aumento da hortaliça chega à casa dos 40% e justifica-se devido às altas temperaturas, que causam anomalias nas brássicas, reduzindo seu valor comercial, assim como o interesse de muitos produtores em cultivar esse produto durante o período do verão em regiões mais quentes, e assim a produção fica restrita a regiões mais frias como a serra gaúcha. Mesmo os produtores retomando o cultivo em março, mas será colhido apenas no início do inverno, fato que pode promover uma queda no preço.
O repolho verde também sofreu com o calor. Assim como o brócolis, os cultivos de repolho se reduzem durante o verão em regiões quentes. A tendência é que o mercado desse produto acompanhe o brócolis e a couve-flor, passando a aumentar a oferta somente quando houver colheita dos cultivos recentemente transplantados, uma vez que essa cultura também é plantada em maior escala no mês de março.
Os que mais pesam no bolso do consumidor
Ovos
Em enquete feita pelo CIDADE, a dúzia de ovos foi frequentemente citada pelos seguidores como um dos alimentos que mais aumentaram nos últimos dias. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) o preço dos ovos atingiu o nível mais alto em 22 meses, segundo a pesquisa, a caixa com 30 dúzias passou de R$ 134 para R$ 227 neste primeiro trimestre de 2025. As causas incluem as altas temperaturas que reduziram a produtividade das aves, além da alta no custo do milho, componente essencial na alimentação das galinhas. Em Uruguaiana, a dúzia de ovos brancos chega a custar R$13, já os ovos caipiras estão na casa dos R$16.
Café
O segundo produto mais citado pelos seguidores foi o café. O valor das sacas de 60 kg de café arábica e robusta atingiu patamares recordes, sendo negociadas a US$ 462,17 (R$ 2.666,28) e US$ 359,63 (R$ 2.074,71), respectivamente. Esses valores representam a maior alta em 28 anos. Condições climáticas adversas, como seca, geadas e chuvas intensas, afetaram negativamente as lavouras brasileiras. Além disso, problemas semelhantes em outros países produtores, como o Vietnã, contribuíram para a redução da oferta global e a elevação dos preços.
Óleo de Cozinha
O óleo de cozinha registou um aumento de 30% desde dezembro de 2024 e foi também muito citado pelos seguidores do Cidade. As motivações são diversas, desde a estiagem e altas temperaturas afetaram a produção de soja, reduzindo os estoques e pressionando os preços, até a valorização do dólar que encareceu os insumos agrícolas e incentivou as exportações de soja, diminuindo a oferta no mercado interno.
Carne
O preço da carne também gerou comoção entre os participantes da esquete. O preço das carnes no Brasil registrou alta de até 16,1% em 2025, o maior aumento em cinco anos, impactando o consumo das famílias. A valorização do produto é atribuída a diversos fatores, como a menor oferta de animais para abate, consequência do ciclo pecuário, além de condições climáticas adversas, como secas intensas que reduziram as pastagens. A desvalorização do real frente ao dólar também incentivou as exportações, diminuindo a oferta no mercado interno. Além disso, o aumento dos custos de produção, com a alta nos preços da ração, combustíveis e medicamentos veterinários, pressionou ainda mais os valores da carne, tornando-a um item cada vez mais caro na mesa dos brasileiros.
Segundo o diretor comercial da Rede de Supermercados Baklizi, Ismael Baklizi, a alta dos preços foi sentida no setor de horti-frutti, sobretudo as frutas cítricas, como laranjas, laranjas de umbigo e limões são compradas pela Rede da região central do país, e, com isso, os custos de logística acabam chegando ao consumidor. o diretor ainda destacou que os materiais de limpeza aumentaram 4% e a perfumaria 6% durante o 1º semestre deste ano. Em geral, o consumidor uruguaianense não está satisfeito com os preços, isso é demonstrado pelo alto índice de respostas “tudo” ao serem questionados sobre o que está caro no mercado. Para participar de nossas enquetes basta seguir o perfil do Jornal Cidade no Instagram (@cidadejornal) ou Facebook (Jornal Cidade).
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